Dia Mundial da Consciencialização do Autismo: Ajudar quem precisa

Segundo o Manual de Saúde Mental – DSM-5, o autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, conhecido por Transtornos do Expectro Autista (TEA). Consiste num distúrbio neurológico caracterizado pelo comprometimento da interacção social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restritivo e repetitivo. Afecta o processamento das informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e as sinapses se organizam. Contudo, a forma como este processo ocorre a nível cerebral ainda não é bem compreendido.

O Dia Mundial da Consciencialização do Autismo foi celebrado no passado dia 2 de Abril.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1943 pelo médico austríaco Leo Kanner no artigo “Autistic disturbance of affective contact”, publicado na revista Nervous Child. No mesmo ano, Hans Asperger descreveu na sua tese de doutoramento a psicopatia autista da infância. Nas décadas de 50 / 70, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que a causa do autismo seria a indiferença da mãe. Já durante os anos 70 esta teoria foi rejeitada, com a busca de causas que provocassem a doença. Hoje acredita-se que a doença pode estar relacionada com diversos factores como a deficiência e anormalidade cognitiva de causa genética e hereditárias; factores ambientais, como o ambiente familiar, complicações durante a gravidez ou parto; alterações bioquímicas do organismo caracterizadas pelo excesso de serotonina no sangue ou anormalidade cromossómica evidenciada pelo desaparecimento ou duplicação do cromossoma 16.

A dificuldade em saber quais os factores que influenciam o aparecimento da doença é porque nem todas estas alterações estão presentes em todos os autistas.

Segundo a ONU, acredita-se que existam mais de 70 milhões de pessoas com autismo. Afecta cerca de uma em cada cento e cinquenta crianças. É uma condição permanente, ou seja, não tem cura. A incidência é maior nos rapazes, tendo uma relação de quatro rapazes para cada rapariga.

O autismo altera a forma como uma criança vê e experiência o mundo. Os sintomas apresentados são diversos: dificuldade na aprendizagem, fala, expressar ideias e sentimentos, relacionamentos, estabelecer contacto visual, a existência de padrões repetitivos e movimentos estereotipados como ficar muito tempo sentado a balançar o corpo, comportamentos agressivos, ou o interesse por algo específico. As pessoas com autismo também podem apresentar um aumento de sensibilidade sensorial, podendo ocorrer em um ou em mais sentidos (visão, tacto, audição, paladar e olfacto). As crianças com autismo têm sintomas diferentes o que torna difícil diagnosticar a doença.

Geralmente, o diagnóstico é realizado entre os 2 e 3 anos de idade. Um psiquiatra ou pedopsiquiatra observa a criança e aplica alguns testes de diagnóstico. Para que o autismo seja diagnosticado, a criança deverá apresentar alterações nas três áreas que esta síndrome afecta: interacção social, alteração comportamental e alterações na comunicação. Contudo, não é necessário apresentar uma vasta lista de sintomas já que a doença manifesta-se em diferentes graus de comprometimento.

Relativamente ao tratamento, deve ser adequado ao tipo de autismo que a criança é detentora e do seu grau de comprometimento. Os principais objectivos no tratamento são: estimular o desenvolvimento social e comunicativo, aprimorar a aprendizagem e capacidade de solucionar problemas, diminuir comportamentos que interferem com a aprendizagem e com o acesso às oportunidades de experiências do quotidiano, ajudando também as famílias a lidar com o autismo. De uma forma geral, é necessário recorrer a diversos profissionais de saúde como enfermeiros, médicos, fonoaudiólogo, fisioterapeutas, psicopedagogos, terapeutas da fala, entre outros, sendo essencial o apoio familiar. O tratamento deve ser vitalício e reavaliado assiduamente para que possa ser adequado às necessidades da criança e da sua família. Pode abranger o uso de medicação, sessões de fonoaudiologia para melhorar a fala e a comunicação, terapia comportamental para facilitar as actividades diárias, terapia de grupo para melhorar a socialização.

Em Portugal, existem algumas entidades dedicadas a esta realidade. A Federação Portuguesa do Autismo, a Vencer Autismo, a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Lisboa, a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Setúbal, a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo do Norte e a Associação de Amigos do Autismo.

 

 

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