Vacinas: Quando o enfermeiro faz a diferença

Num momento em que tanto se fala de vacinação nas crianças, deixamos aqui o testemunho de Maria Nunes da Costa que, com mais de 40 anos, contou com a iniciativa dos enfermeiros para manter a sua imunização contra o sarampo.

Nasci no Verão quente de 1974, na maternidade do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas isso não impediu que as vacinas previstas no Plano Nacional de Vacinação (PNV) da altura tivessem sido administradas. O meu velhinho boletim de vacinas exibe, com orgulho, a lista de imunizações efectuadas deste aquele ano e em Maio de 1977 está lá o registo da vacina contra o sarampo.

Sendo filha única, e apesar de ter muito contacto com outras crianças, não tive, na infância, nenhuma das doenças características dos mais pequenos. Isso deveu-se em grande parte ao facto de os meus pais serem pessoas atentas e conscientes das conquistas da vacinação para a saúde individual e para Saúde Pública, bem como a profissionais de saúde atentos e totalmente comprometidos com o bem-estar das populações.  

Mas o dado mais significativo desta história aconteceu em 2011, quando me dirigi à Unidade de Saúde Familiar Monte da Lua, na Várzea de Sintra. Nesse dia era simples acompanhante da minha filha, que ia cumprir mais uma etapa do PNV. Em plena consulta, a enfermeira que nos atendeu verificou no sistema informático os meus registos e rapidamente me fez o alerta: o sarampo estava de regresso à Europa e seria melhor fazer um reforço da vacina tomada nos anos 70. De espectadora passei a interveniente, com a minha filha a achar o máximo ser vacinada juntamente com a mãe.

Foi graças ao empenho e profissionalismo desta enfermeira que provavelmente serei uma das poucas pessoas, com mais de 40 anos, com duplo reforço da vacina contra o sarampo. E este caso específico serve para demonstrar que a promoção da saúde é feita por muitos enfermeiros por esse País fora, há décadas. Graças a eles Portugal tem número de fazer inveja a diversos Estados europeus, como referiu ontem Francisco George, Director-geral da Saúde.

A USF Monte da Lua é, muito provavelmente, a unidade onde estaria inscrita Inês Sampaio, a jovem que faleceu ontem, vítima das complicações do sarampo. Curiosamente, a Inês era colega de escola da minha filha. Infelizmente, no caso da Inês juntaram-se todos os elementos para aquilo que vulgarmente designamos de “tempestade perfeita”: em bebé uma vacina colocou a sua vida em risco e na adolescência foi a falta de uma vacina que lhe retirou a vida.

Estamos certamente todos consternados com esta realidade. O caso da Inês deve, por isso, ser recordado por todos nós, em especial aqueles que tenham dúvidas sobre vacinação. Esta é uma área de eleição para os enfermeiros dos centros de saúde e é a eles que devemos recorrer para o melhor aconselhamento.

Porque o importante é domar as “feras”, é proteger e salvar vidas…

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